Desenrola 3.0: quem tem direito e como renegociar a dívida
O Desenrola 3.0 é a terceira fase do programa federal de renegociação de dívidas de pessoas físicas. Criado por medida provisória em setembro de 2026, ele funciona de um jeito diferente das edições anteriores: a União compra dívidas antigas com desconto mínimo de 90% e depois oferece condições de pagamento a quem deve. A adesão dos devedores, porém, ainda não começou. Neste texto, explicamos quais dívidas entram, como o programa vai funcionar, o cronograma e o que você pode fazer agora para se preparar.
Índice
O que é o Desenrola 3.0
O programa foi criado pela Medida Provisória nº 1.393/2026, publicada em 25 de setembro de 2026, que alterou a lei do Desenrola Brasil. Segundo a Agência Senado, a novidade é que a União passa a comprar carteiras de dívidas de bancos e de outras empresas credoras, com desconto mínimo de 90%. As propostas com descontos maiores têm prioridade, e o Banco do Brasil e a Caixa podem administrar essas carteiras.
Depois da compra, o devedor poderá quitar a dívida à vista ou parcelar, com desconto que pode chegar ao mesmo percentual obtido pela União. De acordo com a Agência Brasil, o governo estima que até 15 milhões de pessoas possam ser beneficiadas, com até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis.
Quais dívidas entram no Desenrola 3.0
Segundo as regras divulgadas, entram as dívidas que cumprem estas condições:
- Valor original abaixo de R$ 10 mil.
- Atraso entre 720 e 1.645 dias, ou seja, entre cerca de dois e quatro anos e meio, contados a partir de 25 de setembro de 2026.
- Dívidas bancárias e não bancárias, incluindo débitos registrados em cadastros de inadimplentes, como contas de serviços, compras no comércio e prestadores de serviços.
Na prática, a janela de atraso alcança dívidas que venceram aproximadamente entre o fim de março de 2022 e o começo de outubro de 2024. O Ministério da Fazenda ainda pode definir critérios adicionais, por isso vale acompanhar as regras finais.
Exemplos: quem entra e quem fica de fora
Aplicando as regras divulgadas, alguns casos ajudam a entender o alcance do programa:
- Fatura de cartão de R$ 3 mil vencida em junho de 2023: o valor está abaixo de R$ 10 mil e o atraso fica dentro da janela, então a dívida pode ser incluída, se o banco vender a carteira à União.
- Empréstimo de R$ 15 mil em atraso desde 2023: fica de fora, porque o valor original passa de R$ 10 mil.
- Conta de luz atrasada desde janeiro de 2025: fica de fora por enquanto, porque o atraso ainda não chegou a 720 dias.
- Dívida de loja vencida em 2021: fica de fora, porque o atraso passa de 1.645 dias.
Esses exemplos consideram só os critérios de valor e prazo. Em todos os casos, a inclusão depende ainda de o credor oferecer a carteira e de a proposta ser aceita pela União.
Como vai funcionar a renegociação
O Desenrola 3.0 tem duas etapas. Primeiro, os credores oferecem as suas carteiras à União, que escolhe as propostas com maior desconto. Depois, a dívida comprada passa a ser cobrada em condições novas, e o devedor pode pagar à vista ou parcelado. No parcelamento haverá cobrança de juros, e prazos, encargos e demais condições ainda serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional.
Isso significa que o devedor não precisa se inscrever para que a dívida seja comprada. Mas só vai poder renegociar se a dívida dele estiver em uma carteira vendida à União, o que depende da adesão do credor.
Cronograma do Desenrola 3.0
Segundo as fontes oficiais, o calendário previsto é este:
- Novembro de 2026: chamamento para que os credores apresentem propostas.
- Dezembro de 2026: entrega das propostas pelos credores.
- Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas.
- Fevereiro de 2027: início dos contratos e do repasse dos descontos aos devedores.
Até lá, ainda não há canal aberto para os devedores aderirem ao programa. O canal oficial será divulgado pelo governo.
O que fazer agora para se preparar
Mesmo antes da abertura, dá para adiantar algumas coisas:
- Liste as suas dívidas antigas. O Registrato, sistema gratuito do Banco Central, mostra as dívidas registradas em bancos e instituições financeiras no seu CPF.
- Confira a data de vencimento de cada uma e veja se ela se encaixa na janela de atraso do programa.
- Confirme o valor original, que precisa ser menor que R$ 10 mil.
- Organize o orçamento para saber quanto você conseguiria pagar à vista ou por mês.
Se a sua dívida é mais recente ou mais cara, outras saídas podem chegar antes, como trocar um empréstimo caro por um mais barato. Explicamos como comparar ofertas em como usar o Open Finance e as regras do consignado para quem tem carteira assinada em como contratar o Crédito do Trabalhador.
Cuidado com golpes
Programas de renegociação costumam atrair golpistas. Desconfie de mensagens, ligações ou sites que oferecem adesão ao programa antes da data oficial, pedem pagamento antecipado para garantir o desconto ou solicitam senhas e códigos. Nenhuma renegociação legítima exige pagar uma taxa para entrar no programa. Use só os canais oficiais que o governo e os credores divulgarem.
Em resumo: o Desenrola 3.0 pode ajudar quem tem dívidas antigas e pequenas, com descontos a partir de 90% na compra pela União. A renegociação começa em fevereiro de 2027, e o melhor que você pode fazer agora é conferir as suas dívidas e ficar atento ao canal oficial.
Perguntas frequentes
Quem tem direito ao Desenrola 3.0?
Pessoas com dívidas de valor original abaixo de R$ 10 mil e atraso entre 720 e 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026, desde que a dívida esteja em uma carteira comprada pela União.
Quando começa o Desenrola 3.0 para os devedores?
O cronograma prevê o início dos contratos e do repasse dos descontos em fevereiro de 2027, depois do chamamento, das propostas e da homologação.
Qual o desconto do Desenrola 3.0?
A União compra as dívidas com desconto mínimo de 90%. O devedor pode ter desconto de até o mesmo percentual, pagando à vista ou parcelado com juros.
Preciso me inscrever no Desenrola 3.0 agora?
Não há canal de adesão aberto. O canal oficial será divulgado pelo governo. Desconfie de quem cobra para inscrever você no programa.
Como saber se tenho dívidas que entram no programa?
Consulte o Registrato, do Banco Central, para ver as dívidas bancárias no seu CPF, e confira o valor original e a data de vencimento de cada uma.
